Formação para músicos: Guitarras e bateria na missa? Barulho ou Harmonia? Dicas importantes para minimizar as reclamações e participar bem da liturgia.

        Hoje o uso de instrumentos como violão, contrabaixo, guitarra e bateria são comuns nas missas das diversas paróquias espalhadas no Brasil. Porém há alguns anos atrás, isto não era tão natural assim. O instrumento mais presente da Igreja era o órgão, e os cantos eram apenas em latim. De lá para cá o uso destes instrumentos foi aos poucos se espalhando, agradando a uns e desagradando a outros. Mas e ai?
        Chegamos a outra polêmica que na minha opinião está longe do fim. Os mais conservadores querem a extinção destes instrumentos e os mais “moderninhos” amam isso nas missas. A situação é complexa. Eu particularmente tenho a minha opinião. Perguntei a muitos sacerdotes a respeito do que penso. O que vou escrever aqui a minha opinião mostrando obviamente os meus argumentos. Como animador litúrgico eu tenho um pensamento que se não resolve a polêmica, poderia ajudar e muito na estrita convivência entre os que gostam ou não de tais instrumentos na eucaristia.

A Igreja criou um documento chamado Sacrossantum Conciluim, que trata da Sagrada Liturgia. Somente para explanar meu pensamento, vou citar apenas um dos parágrafos, depois leiam o texto. Será de grande valia para todos.

Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimônias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.

Podem utilizar-se no culto divino outros instrumentos, segundo o parecer e com o consentimento da autoridade territorial competente, conforme o estabelecido nos art. 22 § 2, 37 e 40, contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis. (Sacrossantum Conciluim § 120)

Este documento reconhece em primazia como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano e o uso do órgão como instrumento mor da liturgia. Porém também reconhece a necessidade da participação ativa dos fiéis na liturgia, e permite o uso de outros instrumentos (sem citar nenhum além do órgão) de acordo com a cultura do local para a edificação dos fiéis. Apesar de tudo, o documento deixa claro que a liturgia deve se adaptar à realidade cultural de cada diocese, estimulando, inclusive, a criação de cantos populares para uso em ações litúrgicas, e deixa a critério do bispo (a autoridade episcopal territorial) o julgamento da conveniência de instrumentos e cânticos.

Então no meu entender (e aqui cabe a minha interpretação ok?) não existe nada explicitamente claro dizendo este ou aquele instrumento é proibido. O problema está no uso que fazemos dos instrumentos.

Talvez alguns mais interessados em estudar os documentos da Igreja apresentem o documento de São Pio X, no motu próprio Tra le solicitudine – sobre música Sacra – dizendo que se proíbem este ou aquele instrumento. Tudo bem, mas no mesmo documento diz:

Posto que a música própria da Igreja é a música meramente vocal, contudo também se permite a música com acompanhamento de órgão. Nalgum caso particular, com as convenientes cautelas, poderão admitir-se outros instrumentos nunca sem o consentimento especial do Ordinário, conforme as prescrições do Caeremoniale Episcoporum. (Tra le solicitudine § 15)

É verdade que o documento chega a citar uma proibição para piano, instrumentos fragorosos, tambor, bombo, pratos e campainhas. Porém é preciso pensar no contexto da época. Naquele tempo esta era uma preocupação para que a música que era meramente vocal, não fosse sufocada pelo som dos instrumentos (é preciso lembrar que naquele tempo não havia microfones, aparelhos sonoros… era tudo na base da goela mesmo). E mesmo assim, houveram casos onde a percussão se mostrou solene. Ouça o Requiem, de Verdi. Ouça a Missa Solemnis, de Beethoven. São obras feitas para momentos litúrgicos, que têm bumbos, tímpanos, pratos… E são só dois exemplos num vasto universo.

Outro ponto interessante é que São Pio X cita o Caeremoniale Episcoporum. É importante dizer que o Concílio Ecumênico Vaticano II mandou reformar todos os ritos e livros sagrados, tornando-se por isso necessário refundir integralmente e editar em novos moldes o Cerimonial dos Bispos. Ele diz entre outras coisas:

Todos aqueles que têm um papel especial a desempenhar no que respeita ao canto e à música sacra, seja o regente do coro, sejam os cantores, seja o organista, ou outras quaisquer pessoas, observem cuidadosamente as normas prescritas para essas funções, insertas nos livros litúrgicos e noutros documentos publicados pela Sé Apostólica. ( Caeremoniale Episcoporum § 39)

Estou dizendo isto não para entrar na polêmica (sim eu já sei que você que é tradicionalista ou sedevacantista talvez já esteja pensando em me escrever um comentário do tamanho do mundo. Mas calma…). O que eu quero é mostrar que enquanto a Igreja não falar claramente sobre o assunto como fez com relação ao Rito da Paz, a polêmica continuará e sinceramente não tem ninguém no mundo que faça o quadro mudar. Até na JMJ 2013, a missa foi tocada com instrumentos normais e não vi ninguém enchendo as “paciência” por causa disso. Porém…

Há de se reconhecer que muitos não que gostam destes instrumentos na missa, tem lá uma certa razão, não pelos instrumentos em si, mas sobretudo em virtude dos que usam os instrumentos: os músicos!

Gente, é como eu sempre digo: Missa é missa, grupo de oração é grupo de oração, pastoral é pastoral, show é show. Se você se propõe a tocar na missa, aprenda liturgia. Estude, se esforce para fazer o certo. Não seja um desobediente irrecuperável. Pare de questionar, por que na boa, a missa é maior que você. E digo mais: Se um dia você faz beicinho e resolve deixar de tocar na missa, pode até demorar, mas uma hora aparece outro que toca melhor, ou que é mais obediente (o que é de muito mais valia), e você com o seu orgulho e rebeldia vai cair no limbo do esquecimento. Então o que fazer?

Separei algumas dicas que podem ajudar a diminuir as críticas na sua paróquia. Enquanto o pode ou não pode não chega a um desfecho, as missas continuarão sendo tocadas pelos grupos de animação litúrgica. Porém a possibilidade e a necessidade de minimizar as reclamações é possível e viável.

1. Ensaie os cantos da missa

Um músico, ou um grupo de músicos que desejam a tocar em uma missa precisa ensaiar. Sem ensaio, nem toque. Mesmo que você seja o ban ban ban da sua paróquia, eu repito: sem ensaio, não toque. Missa não é encontro de músicos que improvisam com sucesso. Ou você leva a coisa a sério ou não vai. Você não tocaria assim se estivesse diante de uma assembleia de cheia de excelentes músicos. Então saiba que na missa, você toca para o melhor instrumentista do mundo. Então se liga!

2. Coloque os melhores músicos para tocar

Não é que o teclado, bateria, baixo ou violão são instrumentos ruins. Até o orgão é ruim, quando o músico é meia boca. Desculpe a franqueza, mas se você se propõe a tocar na missa, se esforce para tocar e cantar bem. Não dá para aguentar um músico sofrível que nem sabe afinar seu instrumento. Se você está aprendendo, toque no seu grupo de oração, na sua pastoral, na catequese, mas na boa, seja humilde e deixe a missa para quem tem mais experiência. Vá chegando aos poucos. E os músicos que já são experientes, ajudem os mais novos. Não estou dizendo para que você parar de tocar. Estou dizendo que você precisa ser bom no que faz, e se não é, se avalie, faça uma parada, estude, se aprimore e volte.

3. Chegue cedo e em silêncio

Se você ensaiou, sabe o que vai fazer e está em paz, chegue cedo, ligue seu instrumento, afine-o (se houver necessidade), passe uma música e pronto. Vá rezar e se preparar para tocar na missa. Um erro fatal dos músicos católicos: Chegam, ligam tudo, passam o som e ficam do lado de fora batendo papo. Enquanto isso a comunidade reza o terço. Gente isso é horrível! Além de falta de senso comunitário, é falta de respeito com Nossa Senhora e falta de respeito com o seu papel da na Eucaristia como animador. A oração acalma a alma e o coração. E o silêncio também é bom antes de tocar! Por que não rezar antes da missa? Acaso você é melhor que os outros? Está acima do bem e do mal? Calma man… Definitivamente a coisa não é por ai.

4. Não use solos na missa

Irmãos, missa não tem solo de guitarra, de flauta, de bateria, de nada. Os instrumentos servem para sustentar o canto. Portanto deixe os solos para outro momento. Ainda que a música que você vai tocar tenha um solo no CD original, quando você vai cantá-la ou tocá-la na missa você deve evitar os solos. No máximo o que você pode fazer é: em caso da missa estar muito cheia e você ter de repetir a música várias vezes (comunhão por exemplo), você pode “solar” a música usando as mesmas notas do canto, intercalando com a voz. Mas atenção: Faça isso se tiver segurança. Uma nota errada, pode atrapalhar quem está rezando.

5. Acabe com o ding, ding, ding antes da missa

Se tem gente que é contra os instrumentos na missa, este é um dos grandes motivos. Coisa chata é a pessoa querer rezar antes da missa e o abençoado do músico ficar ali tocando nada por nada, solando nada por coisa nenhuma só fazendo barulho. Isso quando não fica tocando, rindo e conversando na hora do terço. Poxa irmãos! Se você não faz isso, beleza. Mas se você faz, desculpa, mas nem é questão de formação. É falta de simancol mesmo! Se vai passar um canto, todo mundo passa junto. Não vai passar nada, fique em silêncio. Nada de conversar mesmo antes da missa começar. Gente a casa de Deus merece respeito. E as pessoas que lá estão também. Chegou, ligou, afinou, passou uma música, fique em silêncio. Ah! E desligue a porcaria do celular. Nada de facebook dentro da Igreja. Você é animador litúrgico e não da Pascom. 

6. Observe a estrutura física da sua Igreja

É preciso ter a compreensão de que nem toda Igreja pode ter uma bateria acústica. Existem igrejas que são antigas e belas, mas a sua acústica é horrível. Dai o baterista chega, monta sua batera e “senta a mão”. Resultado: Todo mundo reclama e com razão. O barulho é amplificado pois ecoa. Um dos motivos para que o povo reclame das baterias é justamente esse. Se a sua paróquia é assim, não invente e nem tente dar um jeitinho: Consiga uma bateria elétrica ou até use um “cajon”. Do mesmo jeito todos os outros instrumentos. Em igrejas mais acústicas, baixe o volume do som.

7. Observem o som e o volume dos instrumentos

É horrível quando você está na igreja e o povo começa a reclamar da altura dos instrumentos. É importante saber que na liturgia, a voz é prioridade. As pessoas precisam ouvir o animador, se ouvirem cantando, e ouvir os irmãos. Ai você vê em alguns grupos que tem aquele carinha metido a pop star que diz que não está se ouvindo, e aumenta o bendito do som do instrumento. Ai o outro aumenta. O outro depois. Quando percebemos está um barulho terrível! Resultado: Reclamação, xingação e tumulto. E culpa de quem? Do bendito “show man, metido a pop star” que só gosta de som nas alturas e que merece um pedala para ver se aprende. Agora uma boa dica: Arrumem uma pessoa para mexer no som durante a missa. Assim acaba a bagunça. Um “técnico de áudio” é tão útil quanto o cantor.

8. Marque o tempo das músicas

Esta é exclusivamente para os bateristas que muitas vezes são os mais criticados e com razão. Missa não é lugar para “sentar a mão na batera” mesmo se a acústica da igreja for favorável. Missa não é lugar para grandes viradas. Se a música precisa de uma virada, faça de modo suave e sucinto. Na missa a bateria deve unicamente “marcar” o tempo das músicas. Não só a bateria mas a percussão. Se a sua Capela tem uma acústica boa para bateria, ainda assim prefira baquetas tipo vassourinha. Eu sei que bateristas não gostam e preferem baquetas mais duras, cujo o som é mais estridente. Porém na missa o som deve ser mais suave. Com certeza as reclamações com a sua bateria vão diminuir.

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9. Prefira notas harmônicas

Quando você tocar na Santa Missa não use acordes dissonantes em seu instrumento. Dissonância já diz: é uma dissonância, é uma harmonia na qual entram notas que não são harmônicas, muito usadas no jazz, na bossa nova e outros estilos de música. Mas na liturgia devemos usar acordes mais simples: tônicas, terceira, quinta, uma sétima menor, às vezes, uma quarta suspensa, que é uma nota de passagem. Porque, se você usar dissonância, as pessoas não vão mergulhar em Deus, pois essas notas dissonantes na liturgia podem despertar outros desejos no corpo, na mente e no espírito e também na sexualidade das pessoas. Porque os acordes dissonantes são gerados exatamente para mexer com a pessoa; na liturgia temos que tocar acordes doces para o bem do Reino de Deus.

10. Evite firulas com a voz. Cuide da afinação

Quem canta também precisa ser sóbrio quando canta na missa. É preciso entender que ali você está cantando para ajudar o povo a cantar. Evite “Ahhhhh”, “Uouou” e modulações excessivasCante reto e use as respirações corretas. E isto se aplica também ao salmo. Se você cantar em grupo, a maior dica é cantar reto e uníssono. Se você for fazer abertura de vozes, ensaie antes. Mas atenção: Para uma abertura de voz ficar bonita, é preciso que os instrumentos toquem em cima da mesma harmonia. Se não a coisa degringola…

Se você levar em consideração estas dicas, eu garanto que 70% das reclamações por causa do uso de certos instrumentos serão resolvidas. E garanto que você ganha, seu ministério ganha, a assembleia ganha, o padre ganha, e Jesus agradece.

 

Fonte: https://domvob.wordpress.com/2014/08/08/formacao-para-musicos-guitarras-e-bateria-na-missa-dicas-importantes-para-minimizar-as-reclamacoes-e-participar-bem-da-liturgia/

 

 

 

 

Silêncio na Santa Missa.

VATICANO, 10 Jan. 18 / 08:30 am (ACI).- Em sua catequese nesta quarta-feira, 10 de janeiro, durante a Audiência Geral celebrada na Sala Paulo VI do Vaticano, o Papa Francisco refletiu sobre a importância do silêncio na liturgia da celebração eucarística e convidou os sacerdotes a cuidar desses momentos. omendo vivamente aos sacerdotes que observem o momento de silêncio e não terem pressa. Oremos para que se faça silêncio; sem ele, corremos o risco de subestimar o recolhimento da alma”

O Santo Padre meditou sobre o canto do Glória e a oração da coleta na celebração da Missa e centrou-se no significado dos momentos de silêncio.

 

“Na liturgia, a natureza do silêncio depende do momento específico”, afirmou. Explicou que, durante o ato penitencial, esse silencia ajuda ao recolhimento, enquanto após a leitura ou depois da homilia, o silêncio convida a meditar brevemente sobre aquilo que se escutou. Do mesmo modo, após a comunhão, o silêncio favorece a oração interior de agradecimento.

a parte, “antes da oração inicial, o silência no recolhimento, a pensarmos no porquê estamos ali”.

 

O Santo Padre destacou a importância de escutar nossa alma e de abri-la depois ao Senhor: “Talvez tenhamos tido dias de cansaço, de alegria, de dor e queremos compartilhar com o Senhor e pedir sua ajuda, ou pedir-lhe que permaneça perto de nós”.

 

Pode ser que “queiramos pedir por familiares ou amigos doentes, ou que estejamos atravessando provações difíceis”, ou simplesmente “pedir-lhe pela Igreja e pelo mundo. Para isto serve o breve silêncio antes que o sacerdote, reunindo as preces de cada um, expresse em voz alta em nome de todos a comum oração que conclui os ritos de introdução com a ‘coleta’ das intenções dos fiéis”.

 

“O silêncio – continuou – não se reduz à ausência de palavras, mas na disposição a escutar outras vozes: a de nosso coração e, sobretudo, a voz do Espírito Santo”.

 

“Precisamente, do encontro entre a miséria humana e a misericórdia divina ganha vida a gratidão expressa no ‘Glória’, ‘hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro’”, explicou o Pontífice citando o Missal Romano.

 

“Podemos dizer que o ‘Glória’, cantado ou recitado no domingo, exceto nos tempos do Advento e da Quaresma, e nas solenidades e festas, constitui uma abertura da terra ao céu, em resposta à inclinação do céu à terra”.

 

Recordou que “após o ‘Glória’, ou, quando não há este, logo após o Ato penitencial, a oração toma a forma particular na oração chamada ‘coleta’, por meio da qual se expressa o caráter próprio da celebração, variável em função do dia ou do tempo do ano”.

 

Além disso, destacou que “o Ato penitencial nos ajuda a nos despojarmos de nossas presunções e a nos apresentarmos diante de Deus como realmente somos, conscientes de ser pecadores, na esperança de ser perdoados”.

 

“Com o convite ‘Oremos’, o sacerdote nos exorta o povo a se recolher com ele em um momento de silêncio, a fim de tomar consciência de estar na presença de Deus e fazer emergir, no próprio coração, as intenções pessoais com as quais participa da Missa”.

 

Finalmente, convidou a que este silêncio reflexivo se estenda para além da Missa. “No rito romano, as oração são concisas, mas ricas de significado”. Por isso, incentivou a “voltar a meditar sobre os textos fora da Missa”, pois “pode nos ajudar a aprender como nos dirigirmos a Deus, o que pedir-lhe e quais palavras usar”.

 

Texto extraído na íntegra de: https://www.acidigital.com/noticias/papa-incentiva-sacerdotes-a-cuidar-dos-momentos-de-silencio-durante-a-missa-11073/

 

 
Maria Mãe de Deus
 
 
A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como a Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.
 
Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que ele é Deus (Jo 20,28; cf. 05,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. Mt 01,22-23).
 
Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho, a expressão Theotokos, “Mãe de Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.
 
Na mitologia pagã, acontecia com frequência que alguma deusa fosse apresentada como Mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por Mãe a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do título “Theotokos”, “Mãe de Deus”, para a Mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que este título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d’Aquele que desde sempre era o Verbo Eterno de Deus.
 
No século IV, o termo Theotokos é já de uso frequente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais freqüente, a esse termo, já entrado no patrimônio de fé da Igreja.
 
Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título “Mãe de Deus”. Ele de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes n’Ele.
 
O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.
 
As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título.
 
A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna, Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi, então, concebido e dado à luz por Maria.
 
Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.
 
A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é Mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.
 
Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua fé na divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.
 
Na Theotokos a Igreja, por um lado, reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho – “se a Mãe fosse fictícia seria fictícia também a carne… fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida à Maria por Aquele que quis ser seu filho. A expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama também a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se Àquela que, sendo Mãe de Deus, pôde obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Novena de Pentescostes - Ano B 

Entrada

1. Um novo amor (Shalom)

2. Vem, Espírito de Deus (Pe. Marcelo Rossi)

 

Aclamação ao Evangelho

1. Tua palavra (Shalom)

2. Antifona + Evangelho

 

Preparação das ofertas

1. Ó Pai, que pelo Espírito

2. Espírito criador

www.youtube.com/watch?v=ExjZN_J6FHo

 

Comunhão

1. Cantar a beleza da vida

2. Cada um recebe o dom do Espírito Santo (Pe. José Weber)

www.youtube.com/watch?v=uxp_ZPYIsOY

 

Envio

1. Shekinah (Min. Adoração e Vida)

2. Enviai (Eliana Ribeiro)